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Parques de Sintra recupera Horta dos Príncipes do Palácio Nacional de Queluz

Parques de Sintra recupera Horta dos Príncipes do Palácio Nacional de Queluz

Nos Jardins do Palácio Nacional de Queluz, arrancaram os trabalhos de recuperação da Horta dos Príncipes, com o intuito de restituir ao espaço não apenas a sua coerência histórica e formal, mas também a sua função contemplativa, educativa e representativa.

A Horta dos Príncipes é parte integrante do Bosquete, componente fundamental do jardim barroco de Queluz, cuja autenticidade será reforçada com esta intervenção.

Os trabalhos em curso contemplam a execução de um pavimento em saibro de granito amarelo estabilizado com cal hidráulica, material historicamente utilizado nos jardins do palácio de Queluz no século XVIII. Incluem, igualmente, a recuperação do canalete de irrigação, restituindo o traçado original e recorrendo a materiais tradicionais. Proceder-se-á, ainda, ao restauro dos componentes pétreos e azulejares das floreiras, com substituição dos elementos dissonantes, preenchimento de lacunas de vidrado e a sua reintegração cromática, bem como à conservação da pintura mural presente numa das floreiras. As peças de cantaria, como o lago, o banco e o brasão decorativo, também serão recuperadas.

A intervenção, com a duração estimada de seis meses, representa um investimento de cerca de 234 mil euros e vem complementar os trabalhos de conservação e restauro dos azulejos e dos elementos decorativos em pedra, nomeadamente, canteiros, alegretes e bancos, que foram realizados em 2023.

Um espaço de aprendizagem e de amor pela natureza

Localizada no maior talhão do Bosquete, junto ao Jardim Pênsil, a Horta dos Príncipes ocupa uma área de cerca de 1620 m². A palavra Bosquete vem do termo francês bosquet (que por sua vez, deriva do italiano bosquetto) e define um pequeno bosque, que era um elemento essencial no programa dos jardins setecentistas ao estilo francês e considerado o seu maior ornamento, porque realçava as partes planas — os parterres e os lagos — ao mesmo tempo que controlava o efeito de perspetiva através do prolongamento dos grandes eixos e das áleas do parque.

A Horta dos Príncipes é uma construção muito tardia, de finais de século XIX, e destinava-se ao cultivo de legumes comuns e exóticos, entre flores, plantas aromáticas e canteiros de buxo. Pensa-se que esta área tenha sido usada na educação dos jovens príncipes, estimulando o amor pela natureza, tão caro à Família Real, e a aprendizagem da Botânica e da História Natural. A disposição da horta reflete a organização ideal proposta por Jean de La Quintinie no tratado Le Parfait Jardinier de 1695 e corresponde à lógica compositiva do Bosquete representada na planta da biblioteca do Rio de Janeiro, de meados do século XVIII. Evocando a sua função original, os canteiros ainda hoje são usados para pequenas plantações hortícolas.

Intimamente ligado às vivências de três gerações da Família Real Portuguesa, o Palácio Nacional de Queluz e os seus jardins históricos constituem um conjunto patrimonial de referência na arquitetura e no paisagismo portugueses. O seu importante acervo reflete a evolução dos gostos e estilos da época, passando pelo barroco, o rococó e o neoclassicismo.

Mais informações, AQUI.

Imagem: DR_PSML_ Jose_Marques_Silva

 

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